Mobbing
“Quando a pessoa deixa de sentir que tem um espaço psíquico protegido, qualquer interação passa a ser vivida como ameaça”
Mobbing: Assédio Moral no Trabalho
A nossa ocupação profissional ocupa uma grande parte do tempo da nossa existência. Muitas vezes, surge nas nossas vidas como uma escolha secundária, o que pode tornar mais difícil o investimento emocional e pessoal dedicado à profissão. Mesmo quando temos a felicidade de exercer a profissão desejada, podem ocorrer fenómenos em que um superior hierárquico ou um colega mal-intencionado, através de comportamentos perversos e repetidos, nos elege como um verdadeiro “alvo a abater”. Alguém que, no exercício abusivo do seu poder, pode transformar a nossa vida num autêntico terror, levando-nos a acreditar que o objetivo final é a nossa eliminação profissional e psicológica.
A estes fenómenos chamamos mobbing, conceito que designa uma perseguição psicológica sistemática e repetitiva no contexto laboral, com o objetivo de humilhar, intimidar, isolar ou prejudicar um trabalhador. Este tipo de violência cria um ambiente hostil, afetando gravemente a saúde mental e profissional da vítima, refletindo-se, muitas vezes, também no contexto familiar.
Se, por um lado, o papel da advocacia se torna fundamental nestas situações, o papel do psicólogo não é menos importante, devido ao sofrimento psíquico intenso que o mobbing provoca. Trata-se de uma experiência profundamente dolorosa — diríamos mesmo trágica — que pode colocar em risco a estabilidade emocional e psíquica da vítima.
Os modelos de intervenção utilizados pelo psicólogo devem ser aplicados tendo em conta a personalidade do cliente, os seus recursos intelectuais e o seu enquadramento na organização. As componentes terapêuticas assentam num relacionamento emocionalmente seguro, empático e confiante entre terapeuta e cliente. Esta dimensão terapêutica foi amplamente desenvolvida por diversos teóricos e encontra-se claramente sustentada pela investigação empírica.
Importa, seguidamente, destacar alguns pontos fundamentais da intervenção psicológica. Em primeiro lugar, a criação de um ambiente terapêutico de cura, centrado na segurança emocional e na confiança. Esse ambiente deve favorecer uma relação terapêutica sólida, onde o cliente se sinta verdadeiramente compreendido e protegido. Em segundo lugar, é essencial que o espaço terapêutico proporcione uma sensação real de segurança psicológica, permitindo à vítima reorganizar internamente a experiência traumática vivida.
Por fim, devemos privilegiar um enquadramento racional e conceptual assente na realidade, livre de imaginações persecutórias ou distorções emocionais excessivas, numa perspetiva próxima dos conceitos espinosianos. Acreditamos que os clientes necessitam de uma explicação plausível para os sintomas que desenvolveram, promovendo um entendimento facilitador e capaz de gerar pensamentos mais adequados e ajustados à realidade. É igualmente nosso dever clarificar a abordagem terapêutica adotada e conduzir um processo que permita ao cliente adquirir ferramentas emocionais e cognitivas para enfrentar, de forma ajustada, as problemáticas instaladas.